terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Uma Declaração da O.T.O. Tifoniana







© Kenneth Grant

Em relação ao Culto de Lam

O Dikpala do Caminho de Silêncio 








 
Prefácio

Retrato de Lam feito por Crowley é um desenho curioso que ele incluiu em sua exposição ‘Dead Souls’ (Almas Mortas) realizada em Greenwich Village, Nova York, em 1919. Nesse mesmo ano ele foi publicado como um frontispício para o Comentário de Crowley para A Voz do Silêncio[1] de Blavatsky. Que há uma conexão entre o retrato e o Comentário, sub-intitulado Liber LXXI, pode ser inferida a partir da inscrição que acompanha o frontispício, que foi intitulado O Caminho:

LAM é a palavra Tibetana para Caminho ou Senda, e LAMA é Ele que Vai, o título específico dos Deuses do Egito, o Peregrino da Senda, em fraseologia Budista. Seu valor numérico é 71, o número deste livro.

Crowley não deixou nenhum registro quanto à origem deste retrato, embora ele tenha observado muitos anos mais tarde que ele foi desenhado em vida. É certo, porém, que o desenho surgiu a partir do Trabalho de Amalantrah, uma série de visões mágicas e comunicações recebidas em 1918, através da mediunidade de O Camelo, Roddie Minor. Isto foi em muitos aspectos, uma continuação do Trabalho de Abuldiz de vários anos anteriores. Em ambos os trabalhos, o simbolismo do ovo aparece com destaque. Uma das visões anteriores do Trabalho de Amalantrah terminou com a frase "Está tudo no ovo". Durante a definitiva visão sobrevivente deste trabalho, em referência a uma pergunta sobre o ovo, a Crowley foi dito que "Tu estás a andar este Caminho".

Examinando o retrato, podemos ver as conexões. A cabeça de Lam é em forma de ovo, e, claro, o desenho é chamado O Caminho. No redemoinho da face pode ser vista claramente um estilizado ankh, o símbolo Egípcio para Curso da vida, como uma questão de interesse, o ankh pode ser mais bem transliterado no Hebraico como kaph nun aleph, 71. O tema principal de A Voz do Silêncio, claramente trazidos por Crowley, é a necessidade de estabelecer contato com o Ser Silente. O corresponde ao Ser Anão, a consciência fálica, Harpocrates, Hadit; e o tema percorre grande parte do escrito de Crowley. É digno de nota neste contexto que ALIL, "a imagem do Nada e do Silêncio ', enumera-se como 71.

Crowley deu o desenho para Kenneth Grant em maio de 1945, na seqüência de um trabalho astral em que ambos estavam envolvidos. Desde então, tornou-se aparente que Lam é de fato uma entidade trans-mundana ou extraterrestre, com que vários grupos de magistas têm estabelecido contato, mais notavelmente Michael Bertiaux na década de 60 e um grupo de iniciados da O.T.O. nos anos 70. Muito permanece obscuro, no entanto, daí a necessidade de uma investigação mais aprofundada desta entidade.

A idéia de entidades extraterrestres parece causar dificuldades com algumas pessoas, associando-a, como podem fazer, com as praias mais selvagens da ficção-científica. Existe, porém, uma riqueza de material sobre este assunto para sugerir o antigo clichê que a verdade é mais estranha que a ficção. Ver, por exemplo, O Mistério de Sirius[2] de Robert Temple. Quer esses visitantes sejam considerados como os visitantes do espaço exterior, ou como a jorrar das profundezas de algum espaço interior, não é nem aqui nem lá. A dicotomia de "interior" e "exterior" é puramente conceitual, decorrente da noção dualista de um indivíduo ser de certa forma separado do resto do universo, que está de alguma forma 'lá fora'. Não existe, na verdade, nada fora da consciência, que é um continuum. Esta posição é explorada no artigo Going Beyond, que apareceu na primeira edição da Starfire.

Lam é abordado em muitos lugares nos trabalhos de Kenneth Grant, mais notavelmente em Cults of the Shadow e Outside the Circles of Time, e o leitor interessado pode consultar estes livros. Um relato mais prolongado de Lam é planejado para uma futura edição de Starfire. Nesse meio tempo, o seguinte documento emitido pela O.T.O. será de interesse, dando como faz um método de se tentar relação com Lam utilizando o retrato como um portal. 


I
Preliminarmente

Tem sido considerado oportuno pelo Soberano Santuário regularizar e examinar os resultados obtidos por membros individuais da O.T.O. que estabeleceram contato com a Mágica Entidade conhecida como Lam. Estamos, portanto, fundando um Culto interior deste dikpala com a finalidade de reunir relatos precisos de tais contatos.

Registros de conexão devem ser detalhados segundo a maneira sugerida em Liber E vel Exercitiorum e deve conter pesquisas sobre a interpretação cabalística do Nome e Números de Lam, e um estudo de relação deles com conceitos-chave da Dupla Corrente (93/696).

Também tem sido considerado oportuno regularizar o método de conexão e construir uma fórmula mágica para estabelecer comunhão com Lam.

O retrato do dikpala que é reproduzido em The Magical Revival[3] pode ser usado como o foco visual, e pode servir como o Yantra do Culto; o Nome Lam é o Mantra; e o Tantra é a união com o dikpala pela entrada no Ovo do Espírito representado pela Cabeça. A entrada pode ser efetuada por projeção da consciência através dos olhos.

Note-se que a entidade é representada sem orelhas, o que sugere que Lam é de certa forma relacionada com o Silêncio do Æon Sem Palavra de Zain. O fato de que o retrato foi usado por Therion como um frontispício de A Voz do Silêncio (H.P. Blavatsky) pode ter um preciso significado mágico. Ele foi originalmente reproduzido em The Equinox, volume 3, número 1, após um "volume de silêncio” de cinco anos durante os quais nenhum ensaio do The Equinox apareceu. The Equinox foi o Órgão Oficial da A.ֺ.A.ֺ. (Argenteum Astrum), a Estrela de Prata representada astronomicamente por Sirius, a Estrela de Set.


II
O Procedimento Mágico

O modo de Entrar no Ovo pode prosseguir da seguinte forma. Cada devoto é estimulado a experimentar e desenvolver o seu próprio método a partir deste procedimento básico:

1. Sente-se em silêncio diante do retrato.
2. Invoque mentalmente pela repetição silenciosa do Nome.
3. Se a resposta é sentida ser positiva, mas não antes, entre no Ovo e se mescle com Aquilo que está dentro e olhe para fora através dos olhos da entidade sobre o que aparece agora ao devoto um mundo alienígena. (Adumbrações de identificação com Lam podem ser experimentadas como um forte senso de irrealidade, ou falta de familiaridade, do universo "objetivo").
4. Sele o Ovo, i.e. feche os olhos de Lam e aguarde os acontecimentos.
5. Ao primeiro sinal de estresse ou fadiga, retorne à consciência mundana abrindo os olhos e escorrendo para fora do Ovo em uma forma determinada pelas experiências internas.
6. Execute, astralmente, o Ritual de Banimento do Pentagrama da Terra, nos Oito Espaços, e registre todas as experiências em detalhes, com especial atenção para as fases lunares (celestial e, quando aplicável, terrestre), e quaisquer fenômenos fisiológicos que acompanharam a experiência.

A invocação de Lam deve ser realizada somente em um Círculo de proteção integral, o qual envolve o Banimento nas Oito Direções do Espaço com o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama da Terra, seguido pelo Ritual de Invocação do Hexagrama da Terra. Então, prosseguir com uma invocação silenciosa de Aiwass, e intensa aspiração a Yuggoth (Kether) e aos Grandes Antigos, antes do início da efetiva LAMeditação.

É sugerido que os devotos experimentem com esta técnica e apresentem seus Registros para membros indicados do Soberano Santuário da O.T.O. As sincronicidades que sejam consideradas relevantes podem ajudar a facilitar Trabalhos futuros, e podem ser incorporados com o objetivo de estabelecer uma conexão mais profunda.

Grupo de trabalho é considerado desaconselhável. Cada devoto deve trabalhar de forma isolada ou somente com seu parceiro mágico, ainda que o Trabalho do IX° seja considerado extremamente perigoso nessa área, mesmo que ambas as partes sejam oficialmente IX°. Uma observação similar se aplica aos Trabalhos do VIII° e, mais enfaticamente, aos Trabalhos Lunares, que em nenhum caso devem ser realizados neste contexto.

Cada devoto deve trabalhar de forma independente, e deve ser desconhecedor da identidade de outros membros do Culto. Isto é importante se o "objetivo" ou a assim chamada evidência "científica" do Contato for obtida.

Talvez leve anos para acumular evidências significativas de contato com Lam, e - se Lam é o Portal - com Aqueles que jazem Além. Pode ser que a comunhão com o dikpala se dê por meio de congressos com uma Sacerdotisa escolhida por Lam, ou com aquela que possua certas características peculiares a esse ofício, caso em que novos procedimentos terão que ser inventados. No presente momento, no entanto, é aconselhável limitar as experiências para métodos de intercurso mental e/ou astral. Uma Ordem Interna do Culto pode – e será, se necessário – ser formada para acomodar outros modos de Trabalho.


III
Por que o Culto foi Fundado neste Momento

O Culto foi fundado porque intimações muito fortes foram recebidas por Aossic Aiwass, 718ֺ.ֺ no sentido de que o retrato de Lam (o desenho original que foi dado por 666ֺ.ֺ a 718ֺ.ֺ em circunstâncias curiosas) é o foco atual de uma Energia extra-terrestre — e talvez trans-plutônica — que a O.T.O. é requerida a comunicar neste período crítico, pois temos agora entrado no Oitenta mencionado no Livro da Lei. É Nosso intuito obter algum insight não somente sobre a natureza de Lam, mas também sobre as possibilidades de usar o Ovo como uma cápsula espacial astral para viajar ao domínio de Lam, ou para explorar espaços extraterrestres no sentido em que Viajantes do tempo Tântrico da O.T.O. estão explorando os Túneis de Set em cápsulas intracósmicas e chthonianas.

Membros da O.T.O. que se sentem fortemente atraídos a este Culto de Lam são convidados a candidatar-se a participação nesse programa. É aberto somente aos membros da Ordem. Eles devem entrar em contato com Frater Ani Asig, 375ֺ.ֺ do Soberano Santuário da O.T.O. e submeter uma aceitação formal, datilografada e assinada, das condições de trabalho descritas aqui.

Deve ser entendido que a proficiência nas fórmulas mágicas deste Culto não necessariamente comporta elegibilidade para o avanço na O.T.O., sua Ordem original.

© Kenneth Grant / Aossic Aiwass, 718ֺ.ֺ
C.E.O. da O.T.O.
Londres e Miami; Equinócio de Primavera, 1987 e.v. 


Originalmente publicada em Starfire Volume I número 3
©Kenneth Grant, 1989; ©S.V. Grant, 2011

©Tradução de Lilia Palmeira - 2011
Revisão de Cláudio César de Carvalho



Notas de Rodapé:

[1] The Magical Revival, by Kenneth Grant, Frederick Müller, London, 1972; publicado também pela Skoob Publishing, London, 1992 e pela Starfire Publishing Limited, London2010. Tradução para a língua Portuguesa como O Renascer da Magia, por Kenneth Grant, tradução de Cláudio Breslauer, Madras Editora, São Paulo, 1999.

[2] A Voz do Silêncio, por Helena Petrovna Blavastky, tradução Portuguesa de Fernando Pessoa. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1969.
[3] The Sirius Mystery, by Robert K.G. Temple. Destiny Books, Vermont, 1976. Tradução para a língua Portuguesa como O Mistério de Sírius, por Robert K.G. Temple, Madras Editora, São Paulo, 2005. 

domingo, 13 de novembro de 2011

Lembrando Frater Aossic, o falecido Kenneth Grant:

Quando eu ainda era apenas um garoto de 15 anos, apaixonadamente absorvendo tudo o que era estranho e alternativo (desde H.P. Lovecraft até Philip K. Dick, Willian S. Burroughs e já fazendo amizade com o notório Throbbing Gristle, e como consequência estando “no começo” com TOPY [1]), eu havia embebecido a mim mesmo no ocultismo a partir dos 11 anos de idade, já lendo tudo de Aleister Crowley que caísse em minhas mãos, e tornei-me familiarizado com as obras de Kenneth Grant.

Esquerda: Kenneth Grant, como ele se parecia naquela época em que o autor se correspondia e como o conheceu; Direita: Matthew Stevens Levi, cerca de um ano depois que ele conheceu o Sr. Grant, no Templo da Juventude Psíkica ao modo Tibetano.


Então eu escrevi para ele, a/c de seu editor, copiando um truque de Rimbaud em fingir ser três anos mais velho do que eu era procurando reivindicar o meu lugar entre os aspirantes (ah, a arrogância da juventude!). Para minha surpresa e deleite, ele respondeu, sempre escrevendo muito formalmente ("Querido Sr. Stevens", e assinado "Sinceramente, K. Grant"), mas ainda se dando ao trabalho de responder minhas várias perguntas. 

Ele também foi bondoso o suficiente para me colocar em contato com Frank Letchford, aquele outro grande amigo & defensor do primeiro-e-único Austin Osman Spare. Eventualmente, eu encontrei com ele, quase que por acidente – por estar no "lugar certo e na hora certa" quando um amigo meu que era livreiro tinha razões para se encontrar com ele - e, embora no começo ele parecesse ligeiramente não muito divertido com a minha presença, e o fato de que eu tinha deturpado minha idade (aos 15 eu era, naturalmente, um menor e morava em casa com meus pais – nenhum pormenor é totalmente perdido em um homem que tinha assiduamente evitado controvérsias ou divulgação pessoal em espaço público ainda que ao mesmo tempo escrevesse prolificamente sobre as Artes Negras e magick-sexual, como chefe de uma 'ordem secreta' dedicado à mesma). Ainda assim, depois de algum tempo a conversa aqueceu, e discutimos uma série de coisas – algumas das quais foram de interesse & surpresa genuínos, como vou tentar esboçar abaixo. 

Eu realmente acredito que sua curiosidade levou a melhor sobre ele, e o fato de que eu tinha a mesma idade em que ele havia experimentado o primeiro dos seus ‘despertares mágicos’ não passou despercebido a ele, tampouco. A conversa terminou com ele recomendando-me aos meus estudos, tanto dentro como fora da escola, e que eu era bem-vindo a escrever de volta se eu ainda estivesse seriamente interessado em Crowley, magia, e a O.T.O. quando chegasse à maioridade legal aos 18 anos. Embora com o passar do tempo, jamais levei isso à ele (e, de fato, nunca fui membro de qualquer grupo que se autodenomine “Ordo Templi Orientis”, ou tais outros corpos), mantive amizades e me correspondi com vários dos principais Thelemitas britânicos ao longo dos anos. Além disso, a acessibilidade quase surpreendente de Kenneth Grant me fez mais tarde incentivar tanto a minha ex-esposa Mouse (ex-Psychic TV) quanto meu velho amigo Gavin Semple à escrever para Grant sobre suas diversas pesquisas, e ele não decepcionou desde então.

Aqui está o que eu me lembro da Frater Aossic, Kenneth Grant:


Ele gostava de Count Basie, e estava convencido de que seus ritmos ‘Saltitantes’ tocava chaves sonoras para tantras tangenciais no reverso da Árvore da Vida. Por outro lado, como tantos de sua geração, ele desprezava ao extremo praticamente TODAS as músicas ‘populares’ gravadas a partir dos anos 60, que ele caracterizou ao longo das linhas de ruído idiota que interferia com as vibrações mais elevadas, etc.


Apesar de sua dedicação contínua à vida & obra de Aleister Crowley, a promulgação da Lei de Thelema, alegação de Chefia da Ordem Externa de sua Própria Verdadeira Ordem, etc., ele confidenciou que realmente o seu “primeiro amor”, espiritualmente falando, foi Advaita Vedanta: esta levou-o a escrever uma série de artigos para jornais indianos, e por um tempo se tornar um seguidor do Sábio de Arunachala [tudo isso foi mais tarde recolhido e comentado em ‘At the Feet of the Guru’].

Ele realmente acreditava que H.P. Lovecraft foi "em alguma coisa" – o Necronomicon de fato existia no plano astral, por assim dizer, e que H.P.L. tinha apreendido isto através de seus sonhos, ou semelhante, mas foi incapaz de aceitar a “verdade” do que ele tinha discernido – que ele era em efeito um magista inconsciente.
Numa época em que "AMOOKOS” estava com todo o furor, e o Guru Sri Mahendranath estava sendo falado em todos zines de Ocultismo Inglês, ele me disse que não podia encontrar qualquer referência ao encontro de Crowley com um Lawrence Miles, ou aconselhar qualquer jovem buscador que “o Ocidente estava acabado” e que ele deveria ir à Índia para buscar a iluminação, em qualquer lugar nos jornais numerosos, agendas, ou livros indicados que cobrissem o momento em que ‘Dadaji’ foi dito ter sido visto com ele.

Ele havia recebido seus primeiros indícios de “uma Transmissão Oculta” aos 15 anos, quando havia recebido uma Transmissão da entidade S'lba - também a mesma idade em que ele se deparou com ‘Magick In Theory & Practice’  de Crowley na livraria em Charing Cross Road, que o levou, eventualmente, à escrever para A.C. a/c do editor (ele estava esperando que A.C. fosse capaz de lhe ensinar yoga!) Essas coisas ocorrem em ciclos, tenho certeza...

De profundo interesse era a afirmação de Grant que a revisão de Crowley do XIº O.T.O. (O grau da magia(k) sexual relacionado com o sexo anal/trabalho homossexual) foi de fato UM ERRO, e que a leitura de A Grande Besta de ‘per vas nefandum’ - “pelo caminho inominável” - estava incorreta, e que este estava na verdade se referindo ao intercurso ritual durante a menstruação, o tempo ‘impuro’ quando uma mulher era de ‘não uso’ (falando reprodutivamente). Esta insistência um tanto ousada e controversa de que A Grande Besta tinha realmente ENTENDIDO ERRADO onde uma de suas inovações sexo-mágica(k) se dizia  respeito (provavelmente um caso de A.C. colocar pendor pessoal acima de qualquer simbolismo ou tradição “verdadeira”), e que através disto Grant abre as portas para uma integração de Thelema com o verdadeiro "Caminho da Mão Esquerda” do Tantra do Vama Marga.

E, por fim, em uma nota mais pessoal, em relação à minha idade, ele me incentivou a fazer o melhor sobre minha educação (ele parecia particularmente feliz que a minha escolaridade incluir Latim, Estudos Religiosos, e uma rodada generosa das Ciências - em suma, um clássico ensino Inglês de gramática – ele sentiu que isso daria exatamente o tipo de aterramento que um estudante sério de Magia necessita), e quando ele entendeu que o meu interesse pelo ocultismo foi me levando a uma certa quantidade de ostracismo social, até mesmo problemas com assédio moral na escola, ele recomendou-me o quarto poder da Esfinge: a de que, assim como Saber, Querer & Ousar, deve-se lembrar ainda quando Calar...

Finalmente, para encerrar, eu sei que uma imagem de Grant é muitas vezes pintada como autocrática, da ‘velha escola autoritária, que pode muito bem ter sido assim – várias pessoas me levaram a acreditar que ele era realmente mais fácil para começar se você NÃO FOSSE um membro de sua Ordem Tifoniana! – mas a coisa que me impressionou nele foi sua dedicação óbvia ao feminino dæmoníaco. Sua defesa da obra de Dion Fortune, e Marjorie Cameron (em uma época em que a maioria das pessoas, se estivessem cientes de TUDO dela, só pensava nela como a "viúva Jack Parsons"), e seu ativo encorajamento de sucessivas gerações de mulheres ocultistas fortes tais como Margaret Ingalls (‘Nema’), Janice Ayers & Jan Bailey, Mishlen Linden, Linda Falorio, Mary Hedger - assim como sua devoção ao longo da vida à sua esposa, a artista Steffi Grant, atestam isso .

A última ligação viva a Aleister Crowley, Gerald Gardner, Eugen Grosche, e Austin Osman Spare, seu legado ainda está para ser completamente avaliado e não veremos outro como ele novamente.


In Memoriam à Kenneth Grant, 1924-2011, agora ido à sua Maior Festa.




Nota de Rodapé:

[1] TOPY ou TOPYNA significa Thee Temple ov Psychick Youth: Irmandade fundada em 1985 que permaneceu em atividade até 2008. Vários membros de peso no mundo artístico participaram desta Irmandade, como PsychicTV, Coil, 93 Current e Genesis P Orridge onde usavam um sistema funcional para a desmitificação da Magick usando técnicas modernas e pagãs.



Matthew Levi Stevens© - 2011
Este artigo foi publicado na Chaosphere Magazine - Issue 3 - 2011

©Tradução de Cláudio César de Carvalho - 2011

Matthew Levi Stevens é escritor, pesquisador, artista e trabalha com livros raros.

Contato:

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Olhando à Frente

A presente ocasião poderá ser entendida como a celebração de um escrito muito estranho. É estranho não somente pela razão do seu conteúdo, mas – como você saberá – pela natureza oculta de sua recepção por Aleister Crowley via uma misteriosa Pitonisa que possuiu brevemente, e para o propósito, a primeira esposa de Crowley, Rose.

Este é a recepção do texto que nós conhecemos como “o tríplice livro da Lei” que o presente encontro está cotado a re-lembrar. As liberdades e êxtases oferecidos por Nuit e Seu Filho, Hadit, nos capítulos um e dois, começam agora a fundir-se com os Mistérios de “um deus de Guerra e de Vingança” – Ra-Hoor-Khuit – e este é o último dos Mistérios que confrontamos agora nas fases final da Kali Yuga – a ‘Era Negra’ da Deusa Kali, a Mãe da Noite Escura do Tempo; do Tempo que está chegando a um fim, como também é o universo tal como o conhecemos, ou, como O Livro da Lei o diz: “A Manifestação de Nuit está em um fim.” Todavia, suas reverberações continuam a ecoar e re-ecoar conforme se aproxima o novo amanhecer – a Satya ou Yuga de Ouro – lançando a se estabelecer novamente depois de 26.000 anos – este sendo o pequeno intervalo temporal de verdadeiras proporções manvantáricas. Este genuíno processo causa nosso júbilo e nossa celebração hoje da recepção por Crowley do Livro da Lei nos dias 8, 9 e 10 de Abril no ano de 1904 e.v.

O Livro contém, para aqueles capazes de interpretar os símbolos, a fórmula pertinente à Satya Yuga que, como alguns dizem, já está amanhecendo, secretamente, sutilmente, nos corações daqueles que podem ler os Sinais. Alguns têm calculado e confirmado uma data em termos precisos, e tem demonstrado por intrínsecos cálculos a partir de observações celestiais, que os Iniciados de três das maiores civilizações da antiguidade – a Kamita, a Védica e a Maia – têm computado a data da transmogrificação[1] que está para acontecer exatamente n um período muito breve de tempo terrestre. Tão próximo, de fato, quanto 2012 e.v. Isso não quer dizer que haverá um final do planeta Terra, do Tempo e do Espaço; mas que com a entrada do Solstício de Inverno no Ventre de Ísis (Via Láctea) no dia 21 de Dezembro de 2012 e.v., o Grande Círculo do Tempo será completado e um novo influxo espiritual – uma Nova Ísis – irá infundir o planeta. As dores de parto que acompanham, todavia, não faltarão. Aqueles pegos em meio às dores do parto, mas que conhecem o Sinal de Proteção sobreviverão a eles conscientemente, junto com os correspondentes estertores da morte que desencadeiam a iniciação completa  de cada homem e cada mulher e criança sensível aos Eventos.

O Livro da Lei constitui, em efeito, o Diário de bordo de um Viajante do Tempo; e como seus símbolos e sinais produzem a informação codificada em seu interior, assim cada indivíduo assumirá conscientemente uma mutação para uma maior, uma amplamente mais expansiva modalidade de Consciência trans-humana conforme ele/ela alcança o cume, e além, da mística Árvore da VIDA.

Kenneth Grant
Londres, 2004.

Matéria originalmente publicada em Starfire –
A Revista do Novo Aeon - Volume II, Número 3.
Suplemento: Uma Seleção de Artigos da Conferência “Thelema Beyond Crowley”, de 2004.
©Starfire Publishing Ltd, Londres
Solstício de Inverno de 2008
©Tradução de Cláudio César de Carvalho - 2011  

Nota de Rodapé

[1] Palavra de origem desconhecida, encontrada em texto pela primeira vez em 1956. Significa se transformar em um formato ou forma diferente, especialmente uma fantástica ou bizarra. Uma transformação maravilhosa. Sinônimos: converter, metamorfosear, transfigurar, transformar, transmutar.

domingo, 17 de julho de 2011

Amor sob Vontade

A FÓRMULA SEXUAL USADA NO CULTO DE ALEISTER CROWLEY (PARTICULARMENTE NA O.T.O.) PODE SER COMPARADA COM CERTAS PRÁTICAS TANTRICAS DA ÍNDIA, MONGÓLIA E CHINA.

A tese do tantra, especialmente do VAMA MARGA (ou ritos da mão esquerda envolvendo mulheres) é baseada sobre a interação equilibrada das polaridades ativa e passiva no organismo humano.

O processo requer uma inibição das tendências salientes da mente, que constituem o principio pensante ou a faculdade de fazer imagens. Quando isso á acalmado, a mente se torna esclarecedora à Luz da Consciência que brilha livremente. Normalmente a Luz é obscurecida pelo véu da Ignorância que é enganada pelo mundo e seu fluxo sem fim de imagens. Essa ilusão de um mundo tem que ser dissolvida antes da Luz que forma e informa possa brilhar sem impedimentos.

Uma forma de atingir isso é pelo congresso sexual direcionado magicamente. Crowley o chamou de AMOR SOB VONTADE. Isso destrói o universo objetivo pela dissolução do sentido da separatividade, capacitando assim o Eu a realizar sua identidade com a Consciência Pura, sem acessórios objetivos. Essa é a essência do Misticismo. É também a essência da Magick e os meios de influenciar o Universo externo à vontade. Misticismo culmina na Abertura do Olho de Shiva; este destrói o Universo no sentido que este cessa de existir como um fenômeno objetivo. Não permanece nenhuma forma e nenhuma idéia para perturbar a calma bem-aventurança da Auto-Experiência. Toda agitação cessa. Essa é a forma passiva da Obtenção.

A forma ativa é Magick, e por esta a Luz é projetada em qualquer modelo desejado. Não deve haver dicotomia na Vontade. Portanto, até a Verdadeira Vontade ter sido descoberta e propriamente formulada, Magick tende a tornar alguém mais distante da Meta.

A Verdadeira Vontade e sua realização é o principal tema dos escritos de Aleister Crowley. Consultem MAGICK IN THEORY AND PRACTICE, onde o processo inteiro é revelado... e ocultado.
O Tantra, também, reconhece no macho e na fêmea o Dois que poderá ser resolvido no Vazio através do processo de amor sob vontade. Na filosofia Chinesa a fórmula é expressa como 0 = 2 ou 0 = (+1) + (-1). Mais Um é simbolizado pelo Yang ou Princípio Masculino; Menos Um pelo Yin ou Princípio Feminino. A combinação deles decide a manifestação em seu nada original expressado como Tão sustenta a fórmula Tibetana: o Nada manifesta a si mesmo em qualquer forma.

O Mais Um, Yang, é representado na Consciência pelo Sujeito. O Menos Um, Yin, pelo Objeto. Não pode haver um Sujeito sem um Objeto, e vice versa. A fusão dos dois constitui o Mundo. A dissolução dos dois constitui o Vazio, que é da natureza da Pura Bem-Aventurança.

O intuito dos Mistérios Antigos (Oriente ou Ocidente) era equipar o homem com as chaves da Auto-realização. Seja estabelecido ritualisticamente ou abordado meditativamente; seja capturado magicamente, experimentado misticamente, a Meta é Uma: Crowley revela o modus operandi de ambos os Caminhos.

O intuito do Misticismo é Auto-realização pela absorção na bem aventurança da Consciência indiferenciada: o 0 da equação chinesa. O objetivo da Magick é a criação de uma variedade sem fim de mundos por infinitas expressões do Eu através do amor sob vontade: o (+1) + (-1) da equação. Nessa equação, Amor equivale ao Nada; Vontade equivale ao Dois. A resolução para Inanidade (o Vazio) ocorre em ambos os casos, pois a fórmula (+1) + (-1) = 0 é meramente uma forma particular de dizer 0 = 2. Isso significa que Amor e Vontade são modos equivalentes da mesma Substância.

Nos antigos textos Órficos o Vazio Original é frequentemente referido como Caos. É a substância primêva das quais todas as coisas procedem. Isso é biologicamente expressado como a semente ou matriz de onde toda a Matéria é derivada. Considerada Ontologicamente é a Pura Consciência Indiferenciada. Em termos Alquímicos é a Primeira Matéria da Grande Obra.

O produtivo fenômeno do sujeito-objeto do Universo é motivado e expressado pelo sexo, ou por um mecanismo análogo. A KTEIS é o Cálice de Babalon, simbolizado como a Prostituta Escarlate em cujo Graal flui o ‘sangue’ ou força-vida dos Santos. Os Santos são os eremitas ou ermitões, i.e. o segredo, não expressado ou a virgem semente masculina, considerado como uma substancia não individualizada que se equivalha a Luz, ou Energia Solar. Isso é hermético no sentido do eu (existência) não contaminado e devotado somente à realização e cumprimento de sua própria Natureza inerente. Essa é a Verdadeira Vontade, cujo veiculo de expressão é o PHALLUS. A Mulher Escarlate monta sobre a Besta, seu Senhor da Luz. Ela extrai (formula) a Luz pela virtude do seu supremo poder (SHAKTI) da criatividade inspiradora em um deus (SHIVA) cuja Energia é essencialmente destrutiva e uma reversão para o Caos. Combinada com ela, todavia, ele é “redimido” e moldado na criação de formas de vida revigorantes, vigorosos eventos-atos, frescos centros de possível experiência no campo de infinita existência.

A fórmula do Novo Æon que Crowley obteve em 1904 consiste simplesmente nesta apaixonada união dos opostos; do Homem e da Mulher na Natureza (Corpo); do Sujeito e do Objeto na Consciência (Mente); do Eu e Não-eu no SAMADHI (Espírito) na sexualidade transcendental da Mulher e da Besta unidos.

A Besta e o Deus se encontram na Mulher. Ela serve como alambique para uma operação alquímica que transforma o refugo da experiência mundana no ouro da Perfeição via a essência espiritual da Besta.


Ao lado A MULHER ESCARLATE como BABALON do Tarô desenhado por Aleister Crowley, executado por Frieda Harris.
 
O tema central dos mitos-modelos de remota antiguidade era o Congresso da Mulher e Besta. A fórmula da encarnação de um Deus era aquele da Besta unida com a Mulher. Esse é o mistério no coração de muitas lendas clássicas; Leda e o Cisne; Parsiphae e o Touro; Maria e a Pomba. O Deus Zeus possuiu Europa como um Touro, Asterie como uma águia; Deols como uma serpente salpicada; Júpiter seduziu Arne na forma de um touro e Theophane na forma de um carneiro; enquanto Cronos, como um cavalo envolveu Phillyra e gerou o centauro Chiron.

Crowley escreveu no Paris Working (1914):

“Essa é a grande idéia dos magos em todos os tempos ― obterem um Messias por alguma adaptação do processo sexual. Na Assíria eles tentaram o incesto; também no Egito, os Egípcios tentaram irmãos e irmãs; os Assírios, mães e filhos. Fenícios tentaram pais e filhas, Gregos e Sírios em grande parte bestialidade. Essa idéia veio da Índia. Os Judeus procuravam fazer isso por métodos e invocação, também pelo PÆDICATIO FEMINARUM. Os Maometanos tentaram homossexualidade; filósofos medievais tentaram produzir homúnculos pela feitura de experimentos químicos com sêmen. Mas a idéia raiz é que qualquer forma de procriação não seja outra além da normal que é própria para produzir resultados de uma reputação mágica”.

Ao lado  O DIABO do Tarô mencionado acima.

Estranhos cultos sobreviventes sugerem que a fórmula da Besta fosse tomada, algumas vezes literalmente. Crowley nota que:

“certas tribos no Terai (Tersi) nos dias de hoje enviam suas mulheres anualmente para as florestas e quaisquer meios-macacos que provêm são adorados em seus templos”.

A razão sendo que suas expressões vocais fossem consideradas oraculares.
A Bruxaria no Ocidente está carregada com narrativas de espíritos elementais na forma de animais que lançam Palavras de Poder e formam canais de comunicação com entidades ocultas.

Algumas dessas práticas derivam de fases de evolução infinitamente remotas e pré-sociológicas, de épocas quando a parte desempenhada pelo macho na procriação era ainda desconhecida.

No antigo Egito, por exemplo, o filho era presumido ‘formular seu pai e fazer fértil sua mãe’. A mãe e o filho foram as primeiras expressões antropomórficas de continuidade mágica e eles foram adorados com tais.

Quando o macho foi descoberto ser a causa da geração, a mãe e o filho foram degradados, repelidos e desprezados como a meretriz com seu progênie bastardo. Bast (ou a Besta) tornou-se rebaixada, uma coisa abominável e os órfãos nesses dias eram chamados bastardos depois da queda original da estima.

O Culto da Mãe foi anulado pelo do Pai e as religiões Solares foram estabelecidas sobre a base da energia masculina que foi depois superiormente estimada àquela do sangue da mãe (materno) dos cultos mais antigos, lunar e estelar. E com o avanço do conhecimento concernente a fatores biológicos, a observação astronômica também progrediu; o tempo não era mais registrado com referencia aos ciclos, estelar e lunar, mas desenrolado aproximadamente no cálculo solar como temos hoje.

Mas essas são explicações exotéricas de uma fórmula constantemente repetitiva envolvendo polaridade sexual de algum tipo, seja na forma da besta, o filho ou o homem. A mulher era a matriz ou alambique por onde ocorria a grande transformação resultando na imortalidade física e a continuação da consciência sobre o plano material, assim como o sol aparecia para reproduzir a si mesmo anualmente e diariamente. E foi originariamente suposto que um sol diferente surgia em cada fresco amanhecer, o velho sol tendo sido engolido pelo dragão das águas do espaço. Alem do mais, nas novas religiões patriarcais e sociológicas, a ressurreição foi considerada como o resultado do auto-sacrifício e da morte. O macho “morria” a fim de conferir vida ao filho que transmitia a linhagem do pai ― por sua vez ― aterrando-o em outra matriz; e assim por diante para sempre.

O processo foi impregnado com sentimentos de culpa, porque o sacrifício e a morte estavam não sob o (extinguir) da compaixão, mas na instigação da paixão, a Matéria era glorificada e o homem exaltado nas experiências sensíveis associadas com suas deidades fálicas; nos cultos pós-pagãos o Espírito era idealizado na prática da Matéria e os complexos conseqüentes de culpa e remorso resultaram nas doutrinas do Pecado Original, a Queda e nas Funções de Expiação. A fórmula pagã de cura e prazer na simples existência deu cominho aos cultos mórbidos de culpa e sacrifício: os Cultos da Vida e os Cultos da Morte.

Esses Cultos tem sido agora ambos substituídos. Matéria e Espírito são conhecidos por serem idênticos. A Fórmula agora é de continuidade da consciência através da Vida E da Morte, e da continuidade da consciência durante a operação que foi uma vez suposta a vincular sacrifício e morte. O LIVRO DA LEI diz: "Seja forte, ó homem! deseje, desfrute todas as coisas do sentido e êxtase: não receie que qualquer Deus deverá renegar a ti por isso".

O segredo dessa magick repousa na fórmula do amor sob vontade.

Para muitas pessoas o processo sexual culmina em uma morte, um apagão da consciência no supremo momento de liberdade. O hiato poderá ser infinitamente sentido, mas este não é menos do que uma quebra na continuidade; o homem realmente morre naquele momento quando ele deveria ser mais vivo completamente do que em qualquer outro tempo.

As disciplinas intensivas de Yoga, não menos do que a tradicional Magia Ritual, são designados para treinar o individuo a alcançar a auto-percepção constante, de modo a que nenhuma experiência ― ainda que poderosa ― possa inundar a consciência.

A História oferece muitos exemplos de místicos tão deslumbrados pelo poder ou o esplendor de suas Visões que eles foram literalmente incapazes de expressar a natureza de suas experiências.

Crowley desenvolveu o que é em efeito uma nova linguagem, designada especialmente para facilitar a comunicação de experiência supra-racional em símbolos inteligíveis. Quer o pilão do Universo Invisível seja aberto pelo uso mágico de drogas, álcool, sexo ou meditação estática culminando em SAMADHI, a conseqüente experiência pode ser formulada e registrada quase com precisão cientificam como está provado pelo seu Diário Mágico.

Os principais requisitos para estabelecer contato com diferentes tipos de existência repousam na habilidade para agir com amor sob vontade. A interpretação subseqüente e o registro do evento é também uma parte integral da experiência.

Os antigos sistemas Tântricos estão repletos com instruções elaboradas para aquisição da iluminação interior. As técnicas Cerimoniais e Qabalísticas do Ocidente ― ainda que nem tanto bem elaboradas ― não eram menos efetivas. Mas os processos eram para poucos e não eram pretendidas massivas obtenções.

Crowley teve êxito em abolir ‘apuros’ espirituais em coisas espirituais; ele oferece esses tesouros espirituais para todos que são capazes de apreciá-los. A esse respeito, novamente, os Tantras são afins, pois de todos os cultos da antiguidade, somente o Tantra deixou de lado todas as distinções de sexo e casta. Crowley também visava em trazer Magick para dentro do raio de ação de cada um. As disciplinas e ordálios não são menos intensivos do que aqueles antigos, contudo as técnicas têm sido adaptadas às exigências da moderna existência. Ao passo que a Tradição Mágica do Ocidente requeria uma enorme parafernália para sua prática apropriada, a nova Magick depende somente dos instrumentos dispostos de cada um: o mecanismo psíquico-sexual que é seu berço.

O Tantra especifica vários centros, ou lótus, na sutil contraparte da anatomia humana. Grandes reservatórios de energia mágica estão latentes em cada um deles. Eles podem ser vivificados se certos procedimentos são adotados.
Não obstante, álcool e drogas são algumas vezes empregados para estimular esses centros, o sexo é sempre um fator mais potente, e preferível a outros auxílios porque é natural e prontamente disponível. Mas grande cuidado deve ser tomado. O LIVRO DA LEI observa:
“Eu sou a secreta Serpente enrolada pronta para saltar: em meu enrolar está o prazer. Se Eu ascendo completamente minha cabeça... se Eu inclino... e Eu e a terra somos um.” 

Vai mais além ao dizer:
“Existe grande perigo em mim; pois quem não entender estas runas deverá efetuar uma grande falha...”   

A Secreta Serpente é SHAKTI KUNDALINI ou centro de poder mágico no homem. Este pode ser estimulado por ritos propriamente conduzidos que requerem nada mais do que o misterioso mecanismo da mente e corpo humanos. Crowley ocultou esses processos nos símbolos que compõem sua linguagem mágica. Com um pouco de paciência e aplicação essa linguagem poderá se tornar familiar a todos. Tenho traduzidos algumas delas ― o bastante para se fazer compreensível os processos mencionados acima ― em meu livro ALEISTER CROWLEY AND THE HIDDEN GOD, no momento aguardando publicação.


Artigo originalmente publicado na International Times Nº. 49: Londres, Jan/Fev 1969.
©Kenneth Grant, 1969; ©S.V. Grant, 2011
©Tradução de Cláudio César de Carvalho - 2011  


                                                                                                                                                                                                                             


sábado, 4 de junho de 2011

Kenneth Grant Fala à Skoob


P. Qual é o propósito dos seus livros?
 KG. O objetivo principal é preparar as pessoas para encontros com estados de consciência desconhecidos. 
P: Será que estes incluem encontros extraterrestres?
KG. Sim. Encontros, extra, sub, e ultraterrestre.
P. Você acha que esses eventos são iminentes?
KG. Eles são suscetíveis a qualquer momento, mas seja agora ou em algum período futuro, a sua ocorrência é certa e é necessário estar preparado para esses eventos.
P. Se essas formas de consciência são outras que não terrestres, o que são exatamente?
KG. Tudo o que posso dizer é que haverá contatos extraterrestres, porque de fato já tem ocorrido contatos extraterrestres, mas também haverá outras formas de contato. Mas, embora o homem possa aprender a assimilar contatos extraterrestres, ele pode achar que é impossível lidar com aqueles do Outro Lado.
P. É isso que você quer dizer quando se refere, em seus livros, a parte de trás da "Árvore da Vida"? É isso o Outro Lado?
KG. A 'Árvore' serve como um vasto modelo. O universo conhecido é representado pelo lado de cá da ‘Árvore’, o desconhecido pelo outro lado.
P. E os seus livros oferecem mapas, por assim dizer, do outro lado?
KG. Eles procuram indicar alguns 'portais' através dos quais formas alienígenas de consciência podem se manifestar ao homem, e através dos quais o homem pode ir ao encontro delas.
P. O livro que você está escrevendo agora é intitulado Outer Gateways. Você julga que esses encontros são iminentes porque há um desejo desesperado e mundial que algo, alguém, algures nos ajudará a sair da confusão que fazemos das coisas?
KG. O Homem tem evocado certas energias, e, portanto, certas entidades, a natureza das quais ele é ignorante, e para o confronto com o qual ele é quase totalmente despreparado.
P. Ele os chamou à vida por sua própria loucura?
KG. A ignorância é a culpada principal, mas existem outros. Há uma determinação deliberada e perversa por parte do homem de hoje para acumular bens materiais. completa materialização é desejada e, portanto, um estado de total materialismo domina e condiciona suas atividades. Com motivações exclusivamente materialistas o homem pode destruir a si mesmo, mas porque eles admitem nada além de si mesmo.
P. E ele não está preparado para enfrentar as consequências?
KG. Decididamente não. Sua atitude fechou sua mente para o conhecimento real e destituído do poder de reconhecê-la quando ela se apresenta, como acontece hoje numerosamente, mas de formas estranhas. Se o homem puder sobreviver, ele terá de se preparar para um encontro total consigo mesmo. Mesmo assim, pode ser tarde demais.
P. Quanto tempo é necessário?
KG. Isso depende inteiramente das circunstâncias individuais. O Tempo de Fora não é como o daqui, na verdade, não há tempo lá, onde tudo é eternamente presente. O homem poderia perceber instantaneamente este presente, e esta presença, se ele não fôsse ignorante.
P. Então segue-se que certos indivíduos, talvez aqueles capazes de perceber essa Presença, ficariam imunes à explosão de novas formas ou consciências?
KG. Em certo sentido, isso é verdade.
P. Em um sentido físico?
KG. Nenhuma sobrevivência é possível em um sentido físico. Aqueles que imaginam que há estão se iludindo. 
P. Mas algumas pessoas poderiam sobreviver em algum estado ou outro?
KG. Nos estados em que você alude não há questão de sobrevivência. Vamos dizer que haverá uma transformação. Se o homem é capaz de integrar essas novas experiências em sua psique, ele deve começar AGORA a pensar em termos, pelo menos, da tentativa de um encontro extraterrestre. Se ele faz isso, o resto pode se suceder.
P. Tudo isso sugere OVNIs e outros fenômenos semelhantes. Certamente, se tais graves perigos são iminentes aqueles que têm autoridade tomarão providências para ver que precauções serão tomadas? 
KG. Como eles podem? Além disso, é sabido que alguns governos são considerados responsáveis ​​por subterfúgios e distorções de informações sobre OVNIs. Mas os OVNIs são apenas projeções dentro da esfera terrestre, ocasionalmente registrados pela vigília e o sonho dos seres humanos, e telas de radar, de algo além deles, e aqueles que ‘tem autoridade' nada sabem sobre esse ‘algo’.
P. Seus livros não tratam especificamente de Ufologia. 
KG. Outros estão cuidando desse aspecto da questão, existem literalmente centenas de livros sobre o assunto.
P. Mas eles são confiáveis?
KG. Seus detalhes são controversos e que são essencialmente especulativos, mas o fato de sua existência em abundância sugere que um número crescente de pessoas estão experimentando formas desconhecidas de consciência, ou que estão se tornando conscientes da existência dessas formas.
P. Que nos traz de volta à minha pergunta inicial: O objetivo dos seus livros?
KG. Fornecer conceitos que são essencialmente estranhos de modo que a faculdade da visão intuitiva possa ser despertada e alinhada com tais conceitos estranhos.
P. Será essa a razão para a inclusão em seus livros de sigilos estranhos, símbolos e outré arte?
KG. Neste estágio primitivo da evolução do homem o sentido visual é de extrema importância.
P: Com certeza o som é igualmente importante, ainda que você não palestre.
KG. O som é importante, mas na forma que você mencionou pode ser um obstáculo positivo. Todos os tipos de vibrações conflitantes atingem ao ouvinte se comparados com o silêncio e quietude que atende ao leitor. E o leitor pode voltar a mergulhar à vontade no presente, se necessário.
P. Então a sua atitude negativa para palestras é uma afirmação positiva do poder do silêncio?
KG. A palavra silente ou impressa é mais potente que sua versão falada, exceto em casos muito excepcionais, e atinge aqueles a quem se destina. As pessoas assistem a palestras, por diferentes razões, mas poucos freqüentam para ganhar conhecimento. Elas vão para conhecer pessoas, para passar o tempo, mas raramente são profundamente afetados pela palavra falada, que é rapidamente esquecida. Livros por outro lado tem sido conhecidos por mudar vidas. A minha própria foi modificada pelo Magick de Crowley.
P. Por que abriu uma porta para você?
KG. Precisamente.
P. Mas a Bíblia ou o Corão podem fazer isso.
KG. Certamente, eles podem, eu menciono Crowley porque seu trabalho é mais especialmente relevante para nossa presente discussão.
P. Outros ocultistas tocaram nestas questões? 
KG. O trabalho de Blavatsky está repleto com insights que sugerem que ela estava em contato com alguma fonte de conhecimento ultraterrestre. O Livro de Dzyan, que A Doutrina Secreta é um comentário, contém elementos de contato com Inteligência Exterior.
P. A Bíblia, Blavatsky, Crowley ... Há algum escritor que hoje aborde o assunto de seu ângulo particular?
KG. Não muitos.
P. Por que isso acontece se o assunto é de tanta urgência?
KG. Existem várias razões. O místico, que é provavelmente o mais qualificado, está preocupado essencialmente com a consciência libertadora da ilusão da existência encarnada. O magista, por outro lado, raramente se preocupa com o estado de consciência que não promova seus objetivos pessoais. O místico é pouco preocupado com o ego, o magista é tão inflado que vê pouca coisa! O cientista baseia sua ciência sobre o pressuposto de que o mundo tem uma realidade independente da consciência. Ele, portanto, acha difícil entender o místico ou o magista, que não fazem isto.
P. Portanto, não há um que você possa nomear que escreva inteligentemente sobre o assunto?
KG. Surpreendentemente alguns escritores sobre Ufologia, alguns deles 'contatados', têm fornecido informações valiosas. Aliás, o próprio Crowley poderia ser classificado como um contatado.
P. Ele teve contato com uma Inteligência extraterrestre, daí a Mensagem e a Missão? 
KG. Não necessariamente extraterrestre, mas certamente ultraterrestre. Crowley descreveu como ‘praeter-humana’. A história de O Livro da Lei, tal como consta em seu Confessions revela-o como um dos contatados mais importante de nossa época. Alguns diriam que o mais importante.
P. Mas contatados são considerados de má reputação por causa de suas mensagens conflitantes e declarações bizarras. 
KG. É verdade, mas o desvio global das mensagens é similar na maioria dos casos. Eles tem de permitir o tipo de mentalidade através da qual são canalizadas e pela qual são interpretadas. Muito poucos contatados são versados ​​em magia, misticismo, metafísica e ciência. Uma distinção deve ser feita entre as comunicações de natureza ética geral e os da categoria de Dzyan e O Livro da Lei, ambos os quais contêm informação especializadas e fórmulas.
P. Qual é a mensagem para o não especialista? 
KG. Que é necessária cautela na utilização das tecnologias que o homem está em processo de desenvolvimento. Devido ao crescimento distorcido, o homem da massa sofre graves deficiências morais. É o elemento com defeito moral que ameaça a humanidade com uma catástrofe.
P. O que exatamente é o elemento moral, a que você se refere?
KG. A Vontade. O desenvolvimento da vontade do homem é superior a suas outras faculdades morais. Ele é forte em vontade, mas fraco em espírito.
P. Quer dizer que ele quer coisas e fará de tudo para adquiri-las?
KG. Precisamente. Hitler foi um exemplo extremo, sua vontade era uma força vampírica que cresceu monstruosamente à custa de outras faculdades e estava inflamado ao ponto da loucura por um desejo de poder. Por outro lado, a sua mensagem, sua doutrina, o veículo de sua vontade, era pueril ao ponto da idiotice. O mesmo se aplica a muitos outros assim chamados líderes dos homens.
P. Crowley não estava nessa classe?
KG. A mente de Crowley era lúcida e altamente desenvolvida. Teve a sua vontade equivalente à esta, a doutrina que ele recebeu pode ter ido muito em direção à preparação do homem para lidar com as novas formas de consciência que estão agora começando a se manifestar. Há poucas evidências de que os contatados nos últimos anos tenham qualquer compreensão adequada das mensagens que recebem. O que não está em dúvida é que ninguém tem ainda vontade suficiente e efetivamente para transmiti-las. Crowley, no mínimo, tem proporcionado um sistema coerente.
P. Qual é então a solução?
KG. Não há nenhuma. Agora pode ser tarde demais para pensar em termos de doutrinas. Elas levam tempo para serem absorvidas. Tal como acontece com todas as preocupações de valor ultimal isso cabe ao indivíduo.
P. Uma espécie de "Operação Arca de Noé"? 
KG. Não exatamente. Noé foi capaz de levar muita coisa com ele.
P. Não é bom se você não pode levá-lo com você!
KG. Essa é uma observação profunda. Se as pessoas entendessem isso e agissem de acordo não haveria os problemas que surgem sempre, mesmo aqueles que estamos discutindo.
P. Existe um documento, como o Livro de Dzyan, o Necronomicon, o Livro da Lei, etc, que contém referências mais específicas para os termos que têm vindo a associar-se aos seus próprios livros e da gnose Tifoniana que eles expressam?
KG. A Sabedoria de S'lba é um desses documentos. É apresentada no Outer Gateways, juntamente com uma análise preliminar por meio de um comentário experimental.
P. Como foi obtido a Sabedoria de S'lba, e quando?
KG. Foi ‘destilado’, por um processo prolongado que se estendeu por anos, desde os intensivos Rituais realizados na New Isis Lodge entre 1955-1962. Alguns dados sobre a natureza desses rituais podem ser recolhidos a partir do meu livro, Hecate’s Fountain.
P. ‘S'lba’ contém as chaves que foram em outra parte discutidas em Outer Gateways?
KG. Sim. É o propósito de Outer Gateways fornecer essas chaves, mas a ‘Sabedoria’ deve ser vivida, e não apenas discutida e, de preferência, não discutida em tudo.


Entrevista com Kenneth Grant, primeiramente publicada em SKOOB Occult Review, Londres, 1990. 

©Kenneth Grant, 1990; ©S.V. Grant, 2011
©Tradução de Cláudio César de Carvalho - 2011  












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